Recuso-me modelar
Que outro destino nos espera
Da solidão, comum, em que ficamos?
Não será a dor imensa e crua,
A revolta e orgulho pessoal,
O ferir quem aguarda e desespera
Na lentidão, sem luta,
O abandono,
Os gritos calados na rua
E a agonia fria e mortal?
O cerne do meu ser esfrangalhado,
Feito grão e pó,
Mesmo molhado
De lágrimas esconsas,
Dos suspiros saídos ao acaso,
Não será (nunca mais) alguém ou objecto.
Porque eu, identidade, tenho dó
De me erguer,
Amassando e modelando
Gente para sofrer,
Gente que vive morta
Na Alma que não se importa.
Recuso-me!
Recuso-me modelar,
Sem garantias de amar!
SOL da Esteva
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