Mitos
Caminho nos bicos dos pés
Para te ver,
Que o ver-te será pecado.
Oh, caminhos cegos
Por onde me alongo
E ribombo
No estrépito dos silêncios e egos.
Mísero estado.
Torno-me preso do Amor
Porque te amo tanto
Sem ser notado.
Temo
Os silêncios que não tenho,
Gritos,
Blasfémias e precações.
Seguro-me nas Orações
Que são meus mitos.
Calcam-me aos pés.
Apontam-me
Culpas que não entendo,
Só porque te amo e sofro não te vendo.
Saído do sentir onde chafurdo,
Retorno á Paz.
Morri ou fiquei surdo?
Sonhei ou acordei?
Os olhos vêem (eu não te vi!)
O que não é fantasia,
Uma flor abrir-se no raiar do dia.
Docemente,
Tudo se refaz.
Volto a andar pelos meus pés
Sem poder dizer-te o que senti.
Mas dentro do peito
Mortificado e desfeito,
Sinto tanto ardor de Amor
Que me esqueci
Do meu despeito.
SOL da Esteva
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