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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Mar imenso




Mar sinistro,
No horror da escuridão
Húmida, confusa,
Aonde os pensamentos vão.

Mar traiçoeiro,
Eu te adorei noutra noite
Sem nevoeiro;
Foste diverso de agora.

Na tristeza, a Alma chora.

Mar ululante,
Num instante
Galgas os muros limite,
Do rochedo da felicidade.
Te acuso se maldade
E me recuso
Que noutras horas te fite
Sentindo saudade
Do tempo que passou.

Mar sinistro,
Lençol de espuma,
Mortalha que foi felicidade.
Mar do horror,
Quem te sonhou por ter sentido Amor?

O desespero
E a solidão de outrora, chegou,
Tomou posse de mim,
Secou lágrimas de dor,
Endureceu o coração,
Esmagou os sentidos, a paixão...
E o que foi Amor, gelou!


...Nem tu nem eu, soubemos
Conservar o delírio de amar!
Nada restou.
Mas se um dia
Voltar a acender-se outra fogueira
E o calor, dela se evolar,
Há-de trazer, de volta ao mar,
O que no fundo da Alma ficou.

Os receios
Serão iguais aos de sempre,
Mar imenso,
Vasta imensidão,
Encanto infinito,
Ou nova frustração.

Deixa lá, mar horroroso,
Deleitar-me-ás um dia,
Do tempo que há-de vir.
Serei terno e amoroso
Até, no tempo, eu partir.


 

SOL da Esteva

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