Nem tiveram pudor & "Post mortem"
Nem tiveram pudor
Foi há muitos, muitos anos,
Nesta data e neste dia
Que certa fonte de enganos
Lá, desde Argel, nos dizia:
"O Cômo foi libertado
E não há sobreviventes".
O meu Dever de Soldado
Seria partir-lhe os dentes.
Dos Portugueses traídos,
Muita mágoa, imensa dor
Por todos os foragidos
Que seu Dever não tomaram
E não tiveram pudor
Dos irmãos que atraiçoaram.
Santos Oliveira
16NOV2019
(*) Reporte, pág. 70/71 in "A Guiné no meu tempo..."
"Post mortem"
Vou celebrar neste dia
Cinquenta e cinco de vida
Acima do que previa
Um certo herói fratricida. (*)
Na sua alocução,
Ditou o Cômo arrasado.
Não posso dar-lhe perdão,
Por ter sido atraiçoado.
Decerto, Nino Vieira
Confiou nos seus Cubanos
E tomou a dianteira,
Sem contar que os enganos
São a hipótese primeira
A tomar quando falamos.
Santos Oliveira
16NOV2019
(*) Reporte pág. 70/71 do in "A Guiné no meu tempo..."
Etiquetas: Nem tiveram pudor & "Post mortem", Poemas de Guerra, Poesia da Vida, Poesia de intervenção, Sonetos


