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sábado, 16 de junho de 2018

Não posso...




Não quero escrever
De amor ou de tristeza,
Ódio ou saudade,
Alegria de viver...

Não posso escrever

Como vai a gente,
Porque a Poesia
É fruto de quem a sente
E tem seu modo de ver,

Metas e destinos...

Não se pode criar
Ou escrever
Com indiferença.

Não sei dizer
E desconhecer              
Que, cá dentro,
A fúria dum vulcão,
Convulso, tenso ou revolto
Suporta um coração
E o cérebro com que penso...

Não posso! Não posso.

Não posso escrever loucura,
Como a sinto ou leio.
Correria, neste meio,
O risco fácil e inútil
De não me ver compreendido
E ser vaiado
Pela cara que não tenho:
Incoerência ou desdenho,
Aferidos pela gente.

Oh, dor que vestes a Alma,
Inunda, afoga o sentir...


Morte, como te desejo
E ao teu beijo
Que um dia há-de vir.

Não posso escrever mais!
Não posso,
É demais!...


SOL da Esteva

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sábado, 9 de junho de 2018

Se algum dia morreres

                                        

Se algum dia morreres, matei-te!

Morre metade de mim
Nesse desespero
De não saber viver
Uma imensa solidão.

Se algum dia morreres,
Eu vou sentir-me
Adentro do coração
Que morre nesse momento;
Terei meus olhos furados,
Os dias serão mais negros
E cairei aos bocados
Da lepra que me devora
E a morte que namora
Num estranho ritual...

Não haverá razão
A sobrepor-se ao coração.


Nada, nem ninguém,
Poderá ser arvorada
De Justiça descarada
Do que sinto por alguém.

Se algum dia morreres,
Sabe,
Eu morro também!


SOL da Esteva

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sábado, 2 de junho de 2018

Presas do nada




Corre, no Céu, a nuvem apressada,
Foge do vento e da solidão.
No seu caminho o Sol se encobre,
Escurece o dia
E deixa a paisagem sombria.

A tristeza se apossa do coração,
A Alma enegrece 

De grande melancolia
E padece
Chorando amargurada.


Vazia,
Porque nada se alumia,
A Terra e a gente
Tornaram-se presas do nada.


SOL da Esteva

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sábado, 26 de maio de 2018

Aniversário



 

Tanto tempo e tantas horas
Do tempo que já passou,
Que quando tu ris ou choras
Nem o tempo te lembrou.

É meia Era de vida
A celebrar alegrias
E longe da despedida
Em meio tempo dos dias.

Na hora de celebrar
Este grande aniversário,
Eu só queria lembrar

Que nas contas do rosário
Se pausa, a meditar,
Até haver centenário.


SOL da Esteva

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sábado, 19 de maio de 2018

Vazio de Amor




Regresso, da lonjura,
Por um espaço verde
De esperança,
Que se esvai no tempo
Da saudade
E viver essa lembrança.

Me arrepia a Alma,
Como se escutasse
Gritos aflitivos de criança...

Na verdade,
Fico tresloucado.

Se amasse,
Não regressava vazio de Amor,
Dum Amor que cá ficasse.


SOL da Esteva

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sábado, 12 de maio de 2018

Alegria acabada




Sou um homem só e triste.
O mais triste e o mais só,
Dos que vivem sobre a Terra.

... Apenas só!

Não desejo compaixão
Por tanto sofrimento,
Tristeza dorida,
Imensa solidão nesta vida...

Nada, mesmo nada,
De tudo quanto existe
Fechado no coração,
Num cofre de aço frio,
Faz sentir a compaixão,
Por ter olhos sorrindo,
Em cenários de tristeza
Que se escondem noutros mundos...
É um triste desafio!

Nada.
Não quero nada!

Não terei a companhia
Que deixe mais alegrias
Na alegria acabada
Pelos tempos
Do final dos dias...


SOL da Esteva

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sábado, 5 de maio de 2018

Despido...





Escuto os sons
Que emanam da tua voz,
Mas não consigo abarcá-los
pela escuridão do dia.

Na outra noite,
Senti-me retraído
Porque tudo era igual e sem sentido.

...Sem que me afoite,
Desejei amar ou repelir-te,
Porque existe um grande Amor.

Sim! Quis sentir-te,
Mas sinto-me despido...



SOL da Esteva

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sábado, 28 de abril de 2018

Ser ausente





Feliz, extravasei o meu apreço
Por tanto receber sem ter direito.
Eu sou um sonhador, tolo confesso,
Que voga sobre núvens e despeito.

E me sobra alegria, porque esqueço
A humana condição de que sou feito.
Há tanto, ao meu redor, que não mereço!...
Viver, o que é injusto, não aceito.

Não posso encobrir que tanto existe,
Teimando mergulhar a alma triste
No lenitivo, esconso, que acalente

Os sonhos bons, tomados de fugida.
São, tudo, coisas duras duma vida
Que me moldaram como um Ser ausente.


SOL da Esteva

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sábado, 21 de abril de 2018

Preceitos




Quis segurar a Vida com a mão
E ela me fugiu por entre os dedos;
Caiu, como areia, para o chão,
Rolando para as fendas dos rochedos.

Ficou desiludido o coração
E aterrado, até, por tantos medos,
Porque há momentos de muita paixão
Perdidos neste mundo de segredos.

Me sinto bem pequeno, de Alma erguida,
Irreverente (até) nos meus conceitos,
Tremendo, de pavor, a cada hora.

Já tive força ingente e tive Vida,
Mas tudo já perdi nos meus preceitos
Porque a minha Alma já não ri nem chora.



 

SOL da Esteva

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sábado, 14 de abril de 2018

Contigo eu consigo




Se te achasse,
Jamais te deixaria!...

Verias germinar plantas,
Nascer animais,
Desabrochar flores,
Nascer o sol...

Escutarias os hinos imortais
Da doce cotovia
E no teu peito
Sentirias pulsar um coração de gente.

Vejo as estrelas dos teus olhos,
Exulto de alegria,
Escuto canções de Amor
A embalar-me todo o dia.

Porque tardas em chegar?
Comprei o destino
Mas não o que dele receberei.

Os meus olhos
Vão-se habituando ao escurecer dos dias,
Resistindo na luta 

Contra a adversidade que faz doer
Mas a força faz crescer.

Fica comigo!

Se amares
E simplesmente te entregares,
O demais se adivinha.


Contigo, eu consigo.


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sábado, 7 de abril de 2018

Parabéns, pelo porvir




Hoje é dia de Natal
De quem, na data, nasceu.
Eu não serei esse tal,
Mas sei que aconteceu.

São muitos anos contados
Da vida de tanto alento
Que, em tempos já passados,
Por bem, nasceu-te um rebento.

Assim, bem podes sentir
Que tens mais um ombro amigo,
Que te apoia na vida.

Parabéns, pelo porvir.
Também eu estou contigo.
Sois, ambas, a minha Vida!



SOL da Esteva

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sábado, 31 de março de 2018

Sem milagres


                                       


Sei que a Alma vive no seu meio.
Ditos doces, ao longo do tempo,
Com espinhos bravos de permeio,
Matam a Fé, fica o desalento.

Mas, sorrindo, eu me sinto cheio
De energia e doce sentimento.
Talvez seja apenas um anseio,
Mas sofro sozinho tal momento.

Creio-me! Serei mais imperfeito
Em não ter coragem de ser eu,
Olhando o espectro sem temer?

Quero ser mais forte no meu peito,
Sem milagres descendo do Céu,
Podendo, sossegado, então morrer.



SOL da Esteva

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sábado, 24 de março de 2018

Morrer sem me perder




Depois de tudo esquecer,
Sem saber

Achei-me aqui, junto ao mar,
A sonhar...

Desejava vida de mar!
Ondular,
Espumar de raiva ou prazer,
Num vai vem constante,
Ou por um instante
Amainar.

Quem me dera ser mar,
Sentir barcos
E corpos de sereias roçar,
Afagando sonhos e carinhos
De crianças a chapinar...

Depois, sim,
Poder morrer sem me perder, secar... 



 

SOL da Esteva

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sábado, 17 de março de 2018

Coloridos Postais



Corre, corre minha amada
Por esses campos além;
A Primavera é chegada
E o Inverno pouco tem.

Depois, a melancolia
Voltará noutra Estação;
Verás cores e agonia
Por colorida visão.

O Inverno, foi brancura
Da neve, na Natureza,
Fez recordar a frescura

Que sobra em sonhos reais,
Aguarelas, singeleza
De coloridos Postais.


SOL da Esteva

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sábado, 10 de março de 2018

Cercadura do Amor



Serena esse corpo, palpitante,
Ávido de Amor e de fantasia,
Que o passado, não muito distante,
Deixou sublimes marcas de alegria.

O teu peito susteve-se um instante
Como se fora o fim de mais um dia...
E teus olhos, de brilho fascinante,
Eram a luz do sol que renascia.

...Tanta saudade, imensa, eu recordo
Que um nó me aperta a garganta
E uma lágrima desce e não me espanta.

Na minha Alma, eu desenho e bordo
A cercadura deste Amor que sinto
E com saliva e beijos eu a pinto.


SOL da Esteva

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sábado, 3 de março de 2018

Amor que nunca acaba




Quem me dera
Poder ser borboleta,
Voar de flor em flor,
Beber o mais doce néctar
Que tem um beijo de Amor...

Quem me dera sentir
E sorver todo o perfume,
(Correr no aveludado,
Do teu rosto rosado)
Preso de fogo e de lume.

Quem me dera!...


Quem dera,
Fosses a minha rosa,
Por prisão ou por quimera,
Albergue de borboleta
Que voga ou rodopia
Na busca dum poiso leve,
Um poiso onde te espera.

Teus lábios, com alegria,
Se abrem por um sorriso,
Como poema de luz,
Ou estranha melodia
Dum Amor que nunca acaba,
Renovado dia a dia.



SOL da Esteva

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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Sem voz


 


Guardo, no meu peito, a esperança,
Tal como a vivo em pensamento.
Firmo as imagens na lembrança
Porque me vem delas, o sustento.

Tenho-te, em mim, por minha herança.
É o doce enlevo que eu recordo...
Sonhe-se loucura, intemperança,
Guardem-se as memórias quando acordo.

Eu apenas posso lamentar-me
De te ter tão perto na distância,
Que sinta o odor e a fragrância,

Percebendo o teu olhar mirar-me
Na meiga ternura de quem ama
E sempre, sem voz, alto me chama.



SOL da Esteva

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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Simplicidade dos sonhos



                                       

Suportar a vida
Que pesa como um fardo mau
E me curvar na loucura
De amar...

Suportar
O desejo ardente
De querer sentir-te num beijo quente,
Doce, suave,
Que os meus sonhos acalente...

Sentir teu peito
De encontro ao meu...

Miragens de esperança
Que trago por lembrança
Num sussurro de ti.

Serei sempre criança,
Na simplicidade
Dos sonhos que vivi.



SOL da Esteva

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sábado, 10 de fevereiro de 2018

O Amor que a gente sente




Não pude ver-te. Fugiste
E não sei qual a razão.
Sabe que fiquei mui triste,
Com cinzas no coração.

Sofro mais a cada hora
Que passa sem te sentir.
Pudesse, a Alma que chora,
Gritar e fazer-se ouvir...

Ah, se fosses o ar puro
E pudesse respirar-te...
Arrasaria esse muro
Que sinto a separar-te.

Jamais, do Destino, tive
Um tão grande sofrimento,
Só porque, em mim, já não vive
Um poucochinho de alento.

Não podendo suportar
A tua separação
Eu vou escolher calar
E morrer no coração.

Serei o gelo de morte
Que adentra o peito meu
Num manto de pouca sorte
Ou de maldição do Céu.

Mas no fundo, bem no fundo,
Ainda há esperança
De ficar por este mundo
Com a chama da lembrança.

E se um dia ressurgir
Deste letargo mortal
Será por Deus redimir,
Revogando, o que foi mal.

Uma última palavra
De quem morre lentamente:
Se evole de ti e se abra
O Amor que a gente sente.


SOL da Esteva

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sábado, 3 de fevereiro de 2018

O destino que nos rodeia




Sou refém
Dum sofrer comungado.

A dor, o vazio,
O medo,
O arrepio que vem,
Não avisa ninguém…

Desejo que te sintas sem temor!

O destino
Que nos rodeia de espinhos,
Faz crescer a solidão.

Não sei o que restou no coração.
Queres adivinhar o meu fundo?
Decerto, aí, encontrarás um outro Mundo.



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sábado, 27 de janeiro de 2018

O muito que ainda dói




Dentro da armadura,
A carne vive,
O sangue corre,
O coração bate...
A vida existe, fremente
Dentro do aço fulgente.

A armadura,
Criada para a luta,
Esconde medos
E a falsa coragem
Que a mais leve aragem 

Disputa.

Os riscos da frente aberta
Perdem-se na hora incerta,
Na couraça ou na trapaça
Que o medo tornou herói.

Eu sou cobarde de raça,
Sentindo tanta desgraça
Crescendo na escuridão.

...O que mais reveste o coração,
É o muito que ainda dói!


SOL da Esteva

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sábado, 20 de janeiro de 2018

Sentimos nós




O teu olhar flamejou, indiferente e vago
Num misto de ardor,
Verdade infinita,
Paz interior...
Todo o sofrimento
Esconso nesse olhar,
É denunciado no teu peito,
Pela ansiedade de amar...

... O teu corpo, sedutor,
Afago mansamente.
Ofereço o meu Amor,
O meu pensamento,
A ternura de mim...

Podes repousar!

Eu sou o nada que se dá,
Debaixo do espaço imenso,
Nos segredos do amanhã:
Alegria, tristeza,
O que é real
E o impossível.

Nada mais é palpável sob o Céu
E o sentir não se vê.
Sentimos nós, sinto eu...


SOL da Esteva

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sábado, 13 de janeiro de 2018

Privação

                                      

 

Nada mais resta, no peito, que a saudade,
Não do tempo, mas de ti, como eu anseio.
E ter-te em meus braços, na realidade,
Preencheria o vazio devaneio.

Eu sofro e tu sofres por essa verdade
Que nos afasta, une, ou guarda no seio.
Tanto se queimou da nossa mocidade
Que já pouco resta do nosso passeio.

Eu, por nós ambos, lamento esta tristeza
Que a outros corresponde a pouca sorte...
Sentidamente, proclamo: venha a morte!

Que paire, sobre nós, a doce leveza
Sem oprimir, assim tanto, o coração
Que lentamente se esvai de privação.



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sábado, 6 de janeiro de 2018

Por tanto Amor




Quero lembrar-me desse olhar tão triste
E desvendar as causas dessas mágoas;
Quero saber (e a tanto me assiste)
Se és transparente e clara como as águas.

Quero sentir se, na verdade, existe
A loucura que o senso não apaga.
Bebendo os beijos, que me permitiste,
Mitigou a sede e a Alma afaga.
    
Mas se morreu, no mundo, o teu Amor,
Nada terei que mate tanta dor,
Nem o sorriso volta a ter sentido.

Quero escolher remédio para ti,
Por tanto Amor que contigo vivi,
Sentindo poder tê-lo por perdido.


SOL da Esteva

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sábado, 30 de dezembro de 2017

Verdades de Ano Bom





O ano correu lesto até agora
E não deixou saudades de maior.
Dos momentos bons, minha Alma chora,
Por esta dimensão ser bem menor.

O Ano Novo, presto, irá chegar.
Nele criamos tantas ilusões,
Quanta a Esperança possa alimentar.
Acrescentamos vida aos corações,
Acendemos luzes, que ofuscam,
Para sentirmos a viva ilusão
Que é nessa alegria que se buscam.

Mas as realidades nos dirão
(Ciclicamente) e delas se enfarruscam.


...Hajam verdades de Ano Bom!



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sábado, 23 de dezembro de 2017

Natal, é quando o Homem quiser





Natal,
Alegria, Paz e recolhimento;
Família e Amigos em plena comunhão.

Natal, é renascimento
Do homem velho,
Do homem cinzento
Que envelheceu na inverdade
E renova o seu coração.

Natal é bondade,
É Luz que ilumina e celebra
O Nascimento da nova criatura.

Natal é Criação,
É Vida leda e pura;
É acreditar na gente
Que busca, para seu lugar na vida,
A manjedoura onde nascer.

Talvez o amanhã não esteja longe!
Quem sabe?
Natal, é quando o Homem quiser.



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sábado, 16 de dezembro de 2017

Um dia irá terminar





Sonho alto
Em maré baixa.

Sonho,
Enrolo-me nas ondas do destino,
Na espuma que se esvai...

Sou batido, na areia,
Como despojo,
Pedra rolada,
Areia esmagada...

Volto com a maré
Em novo ciclo.

Vogo, no mar,
Sem olhar o Céu.
Flutuo...
Não vejo o sol que me iluminou,
Moldou sombra,
Secou...

Escorro lágrimas
Salgadas,
Amargas,
Do chorar do mar.

O pavor de ter de ficar
Eternamente a boiar
Na corrente
E ao seu sabor,
Seja como for,
Um dia irá terminar.



SOL da Esteva

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sábado, 9 de dezembro de 2017

Vivendo o Amor



 

Saber-te, de mais gente, requestada,
Gera ciúmes, dores ou desalentos.
Querer-te, como sempre, a desejada,
É a minha visão nos pensamentos.

Dá-me conforto ter-te, minha amada
E ser benquisto, em ti, tal sentimento.
Não pode, nunca mais, ser apagada
Com a memória triste dum momento.

O Juramento que ambos tomamos
Em consciência plena do que somos,
Adornará a terra que pisamos.

Libertos de tormentos e horror
Mantemos com firmeza o que fomos,
Vivendo plenamente o nosso Amor.



SOL da Esteva

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sábado, 2 de dezembro de 2017

Padrão



 

Passeio
Junto ao rio.
Percorro, com olhar vago,
Os vultos que se movem
Como sendo ninguém.

Tento fixar ideias soltas,
Pensamentos cruzados,
Factos passados
Do mundo onde vagueio.

O que passou, não é
E eu já não tenho Fé.

Ofusca-me a luz que irradia
Do sol do meio-dia;
Estranhamente aquece...

Subitamente,
Sombras e escuridão.
A minha Alma desfalece
Como se o tempo parasse

No meu peito fechado.
Já nada voltará a trazer aquela vida!

O momento foi, assim, marcado,
Por um grito de despedida,
Que se tornou um Padrão.



SOL da Esteva


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sábado, 25 de novembro de 2017

Vida pouca

                                       


Percorro caminhos
Na eterna incerteza
Do amanhã.
Busco, sozinho
As forças que me suportam.

O sentir me diz
Que há chegado
O final do caminho.

Mas não desistirei,
Porque quero viver
Dentro de mim,
Sozinho,
No meu erro.

Os dentes cerrarei,
Agigantando o ser
Na conquista da Alma.
Tudo farei
Para suster
O que é menos bom no sofrer.

Vejo a imensidão dos trilhos,

Os meandros
E as formas labirínticas
Envolvendo
E afogando
O delírio que me toma.

De garganta rouca
Grito ao Céu o meu tormento.

... E mais nada lamento,
Que não seja vida pouca.



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sábado, 18 de novembro de 2017

O Dom de ser lenho




Sou árvore sem fruto!
Tive flores, na juventude,
Por única virtude.
Agora, as folhas
Amarelecidas ou secas,
Caem sem cessar,
Acenando despedidas.

Fui planta brava
Em terra boa.

Não fui benquisto
Porque me faltava enxertia;
Não flori na Primavera
E não dei frutos no Verão.
Esperava, um dia,
Poder olhar para trás,
Sabendo que existo
Sem ter sido quimera.

Neste Inverno,
Sinto ramos gelados, de cristal,

Por meu pão.
Faltou-me a plenitude
De planta boa e criadora.

...Por única virtude,
Resta-me o Dom de ser lenho
E aquecer, a toda a hora,
O mais Bem-amado
coração.



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sábado, 11 de novembro de 2017

Paz com equidade (Armistício)





Armistício, acto grande após a dor,
Harmonizou Paz, tranquilizou a Terra.
Mas tanta gente, desconhecendo o Amor,
Repete iguais acções, mesmo pela guerra.

Todo o Mundo está esquecido dos tormentos
Que os Povos já sofreram no passado.
Pausar para reflectir por uns momentos
É Dever Sagrado dos homens de Estado.

Ignorar a História é um fraco argumento.
Pobre ignóbil, é aquele que engrandece
O seu (des)aprumo e a sua vaidade.

Rico, é manter recto o seu pensamento,
Pelo bem comum do Povo que o merece,
Promovendo Amor e Paz com equidade.




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sábado, 4 de novembro de 2017

Sem novo despertar




O sol repousa
No horizonte frio
Da linha do mar.

Gelado,
Meditando,
Eu me sinto vazio,
Só,
Desesperado...
Chorando...

Condenado,
No acto de nascer,
A sofrer o meu destino
Sem me lamentar
Do Mundo mau e hostil,
Sou culpado e presunçoso,
De não ser mais corajoso
E me libertar.
Sou servil...

Ainda há pouco
Tentei o desafio de me encontrar!

Sabe do meu desejo
De morrer a sonhar,
Sem esperança de nova aurora,
Sem novo despertar...


SOL da Esteva

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sábado, 28 de outubro de 2017

Morrer sem sonhar




 

Tanto se espera, da fantasia,
Além do tempo de um dia...
O destino louco,
É ironia
E não deixa apagar o sentimento.

Sempre se pensou
Que aos demais cabe a alegria
E a nós o sofrimento,
O dilacerar do coração,
A dor e falhas de compaixão.

Almas puras existem de verdade,
Mas o mal impera, fatalmente,
Com dura realidade.

No fundo,
Restos de vivências dos sentidos
E a recordação dos tempos idos,
Não foram tão vazios
Que fizessem esquecer o caminhar,
Ou morrer sem sonhar.


SOL da Esteva

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sábado, 21 de outubro de 2017

À morte nego a razão




Oiço,
Desde aqui,
As horas badaladas na torre da igreja.
Lembram-me outros sinos,
Outro tempo.
Não o tempo de mim,
Mas aquele que vibra e reclama
Os anos passados,
Os tempos de ninguém
Onde a morte foi raínha,
Minha...

Eu quero viver e morrer!
Viver pelo muito que amo.
Morrer,
Por ser desprezado,
Apagado dos vivos
Com o óbito da desgraça,
Sempre á margem,
A ver o que se passa
Adentro do coração.

Ouço os sinos
Por lamentos do enterro
Que sustento, em mim,
Na morte duma paixão.

É tudo tão vivo e presente,
Que eu à morte nego a razão.



SOL da Esteva

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sábado, 14 de outubro de 2017

Alguém que não se chora?




Há muito que me perdi
Pelos meandros
Do fui e do que sou
(E não sou nada!)
Descobri essa verdade
Quando alguém me falou
Dos erros que cometi
Na minha vida passada.

Não irei remediar
O mal que pude causar,
Provado por cada dia
Dos tempos que já lá vão.

...Sou uma desilusão!

Por meu mal,
Eu não vou recomeçar,
Porque o tempo primitivo
Não vai voltar.

E agora?

Sou mais um caso perdido
Entre o lixo social?
Sou alguém que não se chora?



SOL da Esteva

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sábado, 7 de outubro de 2017

Terei muito que esperar?




Chuva triste,
Cobre de gotas finas, frias,
O esmalte do retrato
Sobre quem eu meditava...
A terra era tão fria,
Quanto o calor do seu corpo
Que ali, na campa, jazia.
Nada de mim te lembrava,
Que, enquanto tu foste viva,
Foste a Mãe que eu amava.

Desde o Além,
Conheces quanto me tem
No pensamento,
Quanto do teu conselho oiço
Em tão profundo silêncio...

Sabe,
Sinto pulsar, aqui dentro,
A tua voz conselheira
De Amiga verdadeira
Que jamais me trairá.

Oiço-te desde a lonjura
Dum passo:
A distância que nos separa,
A vala de sepultura.

Limpei teu rosto gelado
Em busca do olhar transparente,
Para que ficasse gravado
Neste passado presente.

E em toda
A imensa tristeza
Que devora a minha Alma,
Tive a tua comunhão.

Uma gota desta chuva
Pelo mármore rolou,
Aos teus olhos se prendeu
E por lágrima ficou.

Chorei amargamente
Pela mensagem tão viva.
É Amor, estranhamente,
Após a tua partida...

Senti que iria voltar,
Procurando o teu saber,
A Amizade e o querer,
Porque eu não sei Amar.

Cruzam-se, nos céus, os caminhos
Mas eu não quero acordar
Do sono que faz viver.

Terei muito que esperar?
Qual a hora de morrer?



SOL da Esteva

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sábado, 30 de setembro de 2017

O que a gente sente





Agora,
Creio ter descoberto a Amizade,
O querer, a liberdade
Que entre nós se firmou.

Senti profundamente
O calor da Alma,
O afago doce,
O pulsar contente...

Terei encontrado a verdade?
Pura novidade!

... Sei! É o que a gente sente.



SOL da Esteva

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sábado, 23 de setembro de 2017

Tempos iguais




 

Vai batendo apressado, coração,
Como a vida que se esvai por entre os dedos.
Essa Vida, o Amor e os segredos
Ainda deixam doce recordação?

Sossega nesse compasso, coração,
E aguarda que o destino esmague os medos,
Porque essas ânsias e os pensamentos ledos,
Irás senti-los, seguros, sem razão.

Sei porque teimas em não caber no peito,
Saltando, tentando do lugar sair,
Seguindo a voz e o guia imperfeito.

Jamais terás os impulsos naturais,
Ou as contas a fazer, com o sentir;
Repetirás, sem cessar, tempos iguais.



SOL da Esteva

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sábado, 16 de setembro de 2017

Lugar á nova gente




Aguardo dias novos,
Sol e paz,
Rios de cristal,
Mar sereno,
Céu azul,
Flores nos campos...
Como quando era pequeno!

Aguardo gente nova
Que deva ser plantada
Na terra que somos;
Que seja semente
De árvores que fomos.

Apodrecido, dos anos,
Lenha de fogueira,
Fruto esquecido

No tempo, 
Consumido,
Darei lugar á nova gente.



SOL da Esteva

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