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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Ninguém me buscará




Tenho o meu peito feito lago de água.
Voto solene e gene de quem chora.
Vivo tristemente, ausente pela mágoa
Presa ao preceito e sujeito que lá mora.

Ah! Mas não sorrio! O frio que me tem
Se apossou da Alma. Desalma a sorte
Gelada. No fundo, é mundo de ninguém
E me faz tremer por ver a minha morte.

Olho a solidão, o pão que alimenta
O meu sofrer. Vou temer por ficar só.
Vejo o fogo imenso e penso que cimenta
O volátil ar, pulsar de fumo e pó.
                                                                               
Mas por outro lado, alado irei partir
Por lugares de além. Ninguém me buscará
Neste ideal irreal no despedir,
Sem modo de saber ver como será.

Se uma vela, desvela o meu olhar
Para além do anel de fel e escuridão
Que diamantes amantes vão guardar
Corpos caídos, jazidos pelo chão.

No bater triste, que existe neste mar,
Só o segredo do medo pode haver.
Sob este Céu, como véu a amortalhar,
Tudo o que ficar ou restar, é morrer.


SOL da Esteva

12 comentários:

  1. Bom dia.
    Parabéns por mais um excelente poema. Adorei ler:))

    Hoje:- És a bebida que sorvo em mar deserto.

    Bjos
    Votos de um óptimo Sábado, e um feliz fim-de-semana

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  2. Um encanto de poema. Parabéns Poeta!

    Beijo. Bom fim de semana.

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  3. Oi Sol,
    Um poema lindo e triste ao mesmo tempo. Vejo o meu tempo se extinguir vagarosamente entre espinhos, isso me traz saudades dos meus dezesseis anos. Foi com essa idade que saía de casa para estudar fora.
    Hoje quieta num canto qualquer da minha enorme casa aguardando o que tiver que vir.
    Beijos no coração
    Lua Singular

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  4. O passar pela vida numa caminha plena de mistérios sem certezas de como será a evolução que nos conduzirá ao final
    Deslumbrante com uma conotação bem triste
    Beijos e um feliz domingo amigo Sol

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  5. Amigo, que lirismo excepcional, adoro su estilo. Ademas, sim alguien lo buscara! :)
    Saludos

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  6. A vida é um mistério mas também a morte é um mistério
    abraço

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  7. Bom dia, Sol

    O medo do desconhecido, não saber o que nos para além da vida terrena por vezes nos tolhe. O que vamos encontrar, se alguém irá à nossa procura, onde estarão os nossos, são perguntas que fazemos, com uma certa frequência, em determinada fase da vida. Mas. há quem defenda que mais vale viver o momento, um dia de cada vez, e aproveitarmos o que de bom a Vida nos concede.

    Um belo poema, meu Amigo. Também esse lado da vida deverá ser motivo de reflexão.

    Desejo-lhe um bom domingo.

    Abraço

    Olinda

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  8. A morte cantada assim nem é morte nem é medo. É ter asas e voar, é partir com vontade de amar esse mundo que acabaremos por habitar.

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  9. E não há volta a dar, tudo o que é vivo acaba por morrer.
    Um poema excelente, gostei imenso.
    Caro amigo, um bom fim de semana. E bom Carnaval.
    Abraço.

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  10. Quando a morte é assim cantada até ela quer viver.

    Um abraço

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